Militares são presos no Canadá por sequestro violento de empresário do setor de criptomoedas
TORONTO — Uma operação de grande escala conduzida pelo Serviço de Polícia de Toronto desarticulou uma quadrilha armada responsável pelo sequestro e extorsão de um empresário do setor de criptomoedas. Entre os sete detidos, chamou a atenção das autoridades a presença de três membros ativos das Forças Armadas do Canadá, além da apreensão de um arsenal bélico que incluía milhares de munições furtadas dos estoques militares do país.
A vítima, proprietária de uma exchange com atuação no mercado canadense — cuja identidade e nome da empresa foram preservados por razões de segurança —, foi emboscada no cruzamento das avenidas Finch East e Bayview. O crime, ocorrido em meados de julho, envolveu agressões físicas e coerção psicológica sob a mira de armas de fogo.
Emboscada violenta e exigência de ativos digitais
Segundo os relatórios policiais, o executivo foi rendido próximo ao seu automóvel particular, algemado e violentamente espancado. O objetivo do grupo criminoso era obter credenciais administrativas, chaves privadas e acesso direto aos fundos em criptoativos sob a gestão da corretora.
Após horas de terror e sob constantes ameaças de morte caso buscasse auxílio das autoridades, o empresário foi finalmente libertado. No entanto, uma investigação minuciosa de inteligência foi instaurada de imediato, culminando no desmantelamento integral da rede criminosa.
Arsenal militar e envolvimento das Forças Armadas
O caso ganhou contornos ainda mais graves com a confirmação de que três dos principais executores integram as Forças Armadas Canadenses. Os militares foram identificados oficialmente como Talarambage Fernando, James Moreau e Jack Miley.
Durante o cumprimento de mandados judiciais de busca e apreensão em diversos endereços ligados aos suspeitos, os policiais recolheram um vasto arsenal de padrão tático, incluindo:
- Cerca de 2.500 munições furtadas diretamente do inventário das Forças Armadas;
- Armas de fogo de grosso calibre e espingardas;
- Supressores de ruído (silenciadores);
- Equipamentos de rastreamento por satélite (GPS), algemas e radiocomunicadores profissionais.
"O que começou como uma apuração de sequestro evoluiu rapidamente para uma investigação de proporções alarmantes. O rigor e a persistência das equipes revelaram um esquema perigoso, com o resgate de munições desviadas do exército, entorpecentes e itens que representavam um risco crítico à segurança pública", declarou Myron Demkiw, chefe de polícia de Toronto.
Tráfico de entorpecentes e a nova face do crime financeiro
Além do armamento bélico, os agentes apreenderam porções significativas de cocaína, metanfetamina e balanças de precisão nos imóveis investigados. Ao todo, a Justiça canadense formalizou 82 acusações criminais contra os membros do bando, englobando crimes de sequestro qualificado, porte ilegal de armas restritas, posse de bens roubados e tráfico de drogas.
Para as autoridades de segurança, o episódio acende um alerta sobre a sofisticação e o nível de violência empregado por organizações criminosas na caça a investidores e executivos do ecossistema de criptoativos.
"Os grupos criminosos têm remodelado suas abordagens em busca de liquidez rápida. Continuaremos vigilantes e implacáveis contra indivíduos que empregam táticas de guerrilha, violência e intimidação armada para alvejar cidadãos", enfatizou o superintendente de operações Joe Matthews.
Os sete réus permanecem sob custódia preventiva do Estado e aguardam as deliberações das audiências preliminares no Tribunal Regional de Toronto. O Ministério da Defesa do Canadá abriu uma sindicância interna para apurar eventuais falhas nos protocolos de controle de armamento e a participação de outros militares no esquema.